quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Abdullah Shah

Abdullah Shah foi provavelmente o primeiro e único assassino em série afegão do século XX. Shah foi acusado de matar mais de 20 pessoas, incluindo três de suas esposas e cinco dos seus filhos. Em uma de suas esposas (ele teria despejando água fervente sobre o corpo dela). Sua execução foi a primeira a ser feita no Afeganistão desde a queda do regime talibã no final de 2001. Há poucos detalhes sobre os primeiros anos de vida de Abdullah Shah. Sabe-se que ele participou com mujaredins na jihad (guerra santa, em árabe) contra a intervenção da União Soviética no final de 1979 e durante os anos 80. Com a saída dos soviéticos em 1989 e a queda do governo comunista afegão em 1992, Shah serviu a Zardad Khan, ganhando a alcunha de “Cão de Zardad” (por causa de sua propensão em morder suas vítimas antes de assassiná-las), que serviu para Gulbuddin Hekmatyar na guerra civil no Afeganistão, em 1992. Shah e Zardad assaltavam pessoas na estrada que liga Cabul a Jalalabad. Quando a guerrilha Taliban dominou a região em meados de setembro de 1996, antes de conquistar Cabul, o grupo de criminosos liderados pelo Zardad Khan e o Abdullah Shah abandonaram a região e praticamente sumiram de cena. Abdullah Shah voltou a cena após ser preso em 2002. Shah foi condenado em primeira instância no tribunal especial, em Outubro de 2002. Nove pessoas testemunharam contra ele no julgamento, incluindo uma mulher que dizia que ele a tentou a incendiar após ter a coberto de gasolina. No tribunal Shah teria assumido que matou sua filha bebê batendo ela repetidamente contra uma parede. Os corpos de muitas vítimas de Shah foram encontrados em um poço no distrito de Paghman. O Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai assinou a autorização de sentença de morte contra Abdullah Shah. A execução ocorreu no dia 20 de abril de 2004, na mesma prisão de Pul-e-Charkhi em que ele estava preso. Na execução, Shah foi baleado na parte de trás da cabeça. As únicas testemunhas presentes eram representantes da polícia afegã e do gabinete do Procurador-Geral e os médicos. A Anistia Internacional protestou contra a execução de Abdullah Shah, alegando que o Afeganistão não usou normas básicas de justiça. A Anistia Internacional acrescentou que Abdullah Shah foi, provavelmente, silenciado para que ele não pudesse testemunhar contra os comandantes aliados ao governo. Disse que não foi fornecido a Shah um advogado de defesa, o julgamento foi secreto, a confissão foi obtida sob tortura e que o primeiro juiz no seu caso, foi demitido por ter aceitado suborno. O segundo juiz impôs a pena de morte sob pressão do Supremo Tribunal.

Um filme de 12 minutos foi feito sobre o julgamento de Abdullah Shah.

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