segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Febrônio Índio do Brasil

Febrônio Índio do Brasil é uma das mais intrigantes e assustadoras figuras na história brasileira. Filho de açogueiro, durante a década de 20, Febrônio era antes de tudo um criminoso.Uma espécie de "bicho-papão" para as crianças brasileiras das décadas de vinte e trinta (era comum os pais dizerem "se você não se comportar, o Febrônio vai te pegar", para as crianças que faziam malcriações), ganhou esta fama ao ser preso, em 1927, sob a acusação de ter estrangulado dois menores que resistiram a seus ataques homossexuais: Almiro José Ribeiro, em 17 de agosto, e João Ferreira, no dia 29 do mesmo mês. Os corpos, encontrados na Barra da Tijuca, tornaram Febrônio um dos criminosos mais conhecidos do Brasil. Mas o mineiro Febrônio Índio do Brasil, já era velho conhecido da polícia, tendo sua primeira prisão ocorrido em 1916, aos 21 anos, depois da qual se acumularam outras 29, por motivos diversos como roubo, vadiagem e chantagem. Além disso, segundo palavras do diretor da Casa de Detenção a seu respeito: "consta que ele entrega-se ao vício da pederastia". Atuou como médico e dentista sem licença ou formação em diversas cidades do Brasil, inclusive em Curitiba, consta inclusive que duas crianças morreram no Espiríto Santo após receberem medicação prescrita por ele. No final dos anos 20, depois de uma visão mística, Febrônio tornou-se um profeta. Evangelizador de uma religião própria que pregava a existência do Deus-Vivo. Sua missão, de acordo com as ordens de uma santa loura que apareceu em sua visão, era “escrever um livro e marcar os jovens eleitos com as letras D.C. V.X. V.I., tatuagem que é o símbolo do Deus- Vivo, ainda que com o emprego da violência!”. Febrônio escreveu o livro, "Revelações do Príncipe do Fogo", onde descrevia prolixamente esta religião, que ele próprio mandou imprimir e vendia de mão em mão. Com prosa apocalíptica e tumultuada, inspirou modernistas como o brasileiro Mário de Andrade e o francês Blaise Cendrars, que escreveram sobre ele. Todos os exemplares dos livros foram queimados pela polícia federal logo após sua prisão. Em trechos do livro, publicados num jornal carioca, podia-se ver a fúria de suas palavras místicas. No julgamento, o advogado Letácio Jansen, solicitou sua internação "numa casa de loucos onde haja a devida segurança e precisa vigilância". Com sua insanidade sendo atestada pelo perito Heitor Carrilho, o juiz Ary de Azevedo o considerou inimputável. Depois de assassinar e tatuar quase uma dezena de jovens, Febrônio foi para um manicômio. No hospício, inicialmente Febrônio tentou reduzir sua pena, reivindicar a soltura em petições a juízes ou obter transferência para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Tinha como objetivo fugir, o que conseguiu em 1935, mas sua sorte durou pouco, sendo recapturado após somente um dia de liberdade. Após isso, entrou em processo de demência. O médico Heitor Carrilho (que hoje empresta o nome ao hospício) ficou de dezembro de 1927 a janeiro de 1929 examinando o "louco moral e homossexual com impulsões sádicas", solicitando depois sua "segragação ad vitam (enquanto vivo)". Num laudo de trinta e quatro folhas, determinou o sepultamento em vida do homem que, a partir de 1936, foi esquecido, passando longos períodos na solitária. Em junho de 1984 foi lançado o curta-metragem "O Príncipe do Fogo", de Sílvio Da-Rin, tendo Febrônio como tema. Dois meses depois, aos 89 anos e completamente senil, o preso mais antigo do Brasil, interno número 000001 do Manicômio Judiciário, morreu de edema pulmonar agudo. Havia passado 57 anos no hospício.

12 comentários:

  1. foi para o quinto dos inferno..............

    ResponderExcluir
  2. A MENTE DELE DEVIA SER MUITO CURIOSA !!!

    ResponderExcluir
  3. se fosse na êpoca de hoje ele não viveria este tempo todo,com certeza ele teria morrido na cadeia por outros presos ou até mesmo por vingança por familiares das vítimas.infelismente se ele tiver morrido sem a sua salvaçâo em cristo jesus este já está no inferno.salmos: 37,5 34,4.

    ResponderExcluir
  4. velhoo como ele era mal nossa esse homem não tinha pena de niguém e ainda dizia q ele ainda falava de Deus praa outras pessoas
    affs q cara de pau ele era um verdadeiroo psicopata
    mais tinha uma coisa de bom esse homem era um otimoo escritor

    ResponderExcluir
  5. Ele matou o tio da minha avó alamiro josé ribeiro

    ResponderExcluir
  6. Este caso mostra que a incompetência das autoridades públicas no Brasil não é de hoje, ele foi preso e solto umas 3 vezes, e desta forma cometeu muitos crimes que poderiam ser evitados, caso existe neste país seriedade e comprometimento com a justiça, coisa que não existe até hoje!

    ResponderExcluir
  7. Se esse endemoniado e assassino estivesse nas maos da Justica Americana , ele ja tinha torrado na cadeira eletrica sem ter matado tantos inocentes. Mas no Bostil e assim, sempre a incopetencia, corrupcao e roubalheira tomaram e tomam conta das terras tupiniquins.

    ResponderExcluir
  8. Engraçado ele tatuar 666 nas suas vítimas.

    ResponderExcluir
  9. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  10. Impressionante! Quando eu era criança meu pai às vezes falava esse nome e sobre essa macabra criatura, mas eu não sabia nada sobre ele. É a primeira vez que leio algo sobre ele. Era um espírito bastante atormentado, ago bem difícil naquele tempo. Nos Estados Unidos teria ido pra cadeira elétrica. Não vi nada sobre o que está escrito acima, que ele tatuava o número na Besta nas suas vítimas. Naturalmente era um atormentado débil mental, nada mais. Mas foi muito interessante ler sobre essa criatura aqui. Agradeço a informação.

    ResponderExcluir

<